domingo, 13 de dezembro de 2009

MAÇONARIA - ORIGENS INICIÁTICAS - 11.1 - OS NEOGNÓSTICOS

MAÇONARIA
ORIGENS INICIÁTICAS
11.1
OS NEOGNÓSTICOS
Fora desta forma de gnosticismo, formou-se recentemente outro agrupamento que, embora reclamando a mesma doutrina, leva notáveis variantes nas manifestações.
Intitula-se neognosticismo e é representado atualmente, na França Srs. Dr. Fugairon e Johannés Bricaud.
Estes neognósticos dispuseram as fases de sua iniciação segundo as estações do ano e de maneira a simbolizar, pela idade do Sol anual, os estados da alma e de espírito do novo adepto; assim se perpetua o pensamento da existência cíclica da alma humana, que percorre alternadamente cada estação, sofre os dias e as noites até o momento em que o tempo desaparecerá para cada alma chegar, enfim, ao termo de sua existência terrestre.
O primeiro estado do discípulo ou Aprendiz Gnóstico é simbolizado pelo inverno. Neste momento, o ser está no caos e na obscuridade, porém, como a terra está no inverno, contém todas as possibilidades de esperança em uma renovação próxima.
Está na matéria, mas o trigo semeado não deseja senão crescer e florescer, com o tempo e os cuidados que lhe são necessários.
No grau seguinte, vem a ser discípulo ou Companheiro Gnóstico. É a primavera. A palavra dos mestres, como o Sol propício, espalhou o calor que faz brotar os germes.
Aquele que estava na sombra compreende, enfim, a claridade e tende todas as suas forças para ela. O mundo renasce para a força e a alegria. O ano novo surge.
O adepto vem a ser, em seguida, Mestre Gnóstico. É o estio, a expansão do que não era primeiramente senão uma promessa. O trigo morto na terra vem a ser uma colheita abundante. O Sol da verdade elevou-se sobre a inteligência. Uma alegria imensa radia sobre o universo que não é senão o emblema da alma renovada. Ela goza o fruto de seus esforços.
Enfim, vem o grau de Mestre Eleito Gnóstico.
Os mistérios são cumpridos. As colheitas estão na granja.
Aquele que nesta vida atinge ao cúmulo do que lhe é permitido receber, pode regozijar-se de seu trabalho, mas o outono é a estação das lembranças e meditações.
O verdadeiro adepto sabe que seu reino não é deste mundo. Prepara-se para nova etapa de sua evolução pela meditação e pelo estudo, pela prática das obras de beneficência, a fim de que seus irmãos tenham parte em seus bens e de que saia da matéria, rico das obras cumpridas.
Estas quatro etapas comportam 7 graus e, para os neognósticos, estes 7 graus correspondem a sete períodos da vida de Jesus.
Estes graus são conferidos por festas especiais no momento do ano correspondente à sua estação.
A iniciação não é, pois, no seu ponto de vista, mais que o nascimento e o desenvolvimento da vida do Cristo em nós. Aqui, os cristãos de São João retomam um pensamento de São Paulo, que apresenta o Cristo como exemplo que todo ser deve tender a reproduzir tão perfeitamente quanto possa. Mas, também, para a maioria dos homens, a morte e as vidas sucessivas são necessárias a esta adaptação; a iniciação é para o adepto o meio de substituir estas longas etapas pela única existência inteiramente dada às obras, aos pensamentos e às práticas que fazem uma verdadeira morte, depois da qual não resta mais senão renascer. Entre os gnósticos, esta idéia, constante em todas as iniciações, tem isto de particular, que faz reviver cada pessoa nas diversas épocas da vida do Cristo.
As sete festas iniciáticas e comemorativas são:
1º - O nascimento de Jesus (25 de Dezembro).
2º - Sua conversação com os Doutores (2 de Fevereiro).
Estas duas festas pertencem ao solstício de inverno, quando a vida está encerrada na matéria; o Natal corresponde ao grau de Estudante Secreto e a discussão com os doutores a de Estudante Perfeito.
Na primavera, encontramos:
3º - O batismo (25 de Março).
4º - A pregação, as lutas, a lapidação (2 de Maio).
Estas duas festas representam o despertar da primavera correspondente ao batismo e às graças que se derivam para o adepto. Elas conferem os graus de Sublime Maçom Gnóstico no que concerne a primeira e de Cavalheiro da Trolha e da Espada, no que toca à segunda.
5º - A transfiguração (1º de Julho).
6º - A entrada triunfal em Jerusalém e a ceia (1º de Agosto).
Estas duas festas, em que o poder de Cristo é exaltado, são a expansão real em pleno estio. A primeira dá ao iniciado o grau de Mestre Adepto. A festa de 1º de Agosto lhe confere o grau de Mestre do Segredo Real.
7º - Enfim, a festa da morte e da ressurreição (25 de Setembro) dá os últimos segredos àqueles que permitam as meditações antes que a desencarnação arrebate o iniciado às fadigas deste mundo.
O último grau que recebe é o de Ministro da Serpente de Bronze e da Estrela Flamejante. O outono veio. Fazendo partilhar aos fiéis os frutos de sua iniciação, prepara-se para acabar a sua vida na paz e harmonia que convêm ao Sábio.
A cada um destes 7 graus há correspondentes das experiências materiais.
No primeiro grau, o Estudante Secreto, sofre o espanto da sombra e da inquietação de achar-se sem guia em subterrâneos.
No segundo grau, o Estudante Perfeito, passa provas intelectuais e morais que permitam conhecer sua fé e iniciativa.
No terceiro grau, o Sublime Maçom Gnóstico, passa as experiências da água e da fumaça.
No quarto grau, o Cavalheiro da Trolha e da Espada, passa o Mistério da Unção do Crisma (que corresponde parcialmente à confirmação).
No quinto grau, o Mestre Adepto, passa os Mistérios do Fogo e do Ar, que correspondem a uma parte da confirmação.
No sexto grau, o Mestre do Segredo Real, depois das experiências morais, é admitido ao Mistério Inefável (ceia ou Eucaristia).
Enfim, no sétimo grau, o Ministro da Serpente de Bronze ou da Estrela Flamejante, é submetido a experiências que demonstram a pureza e a força de sua alma. Então é admitido ao Mistério do Grande Nome, que assim como a Ordem na religião católica, confere o sacerdócio e seus poderes.
Tal é o ensinamento dos neognosticos, assim como é dado pelos Srs. Dr. Fugarion e J. Bricaud. Uma última festa fecha o ano: a dos Mortos e a de Todos os Santos (1º e 2º de Novembro), onde os adeptos que são dignos são admitidos aos Mistérios das Unções pneumáticas.
Este mistério corresponde àquele da Extrema Unção, mas dá também o poder das curas e exorcismos.
Todas as etapas de iniciação gnóstica deveriam ser celebradas por solenidades magníficas, mas, apesar do entusiasmo dos instrutores, o número restrito dos adeptos rende culto, por assim dizer, teórico.
A Igreja Gnóstica morreu; e, entretanto, a tradição sobreviveu, embora sofresse sempre, pela natureza própria das coisas, imensas modificações.
Como todas as iniciações, a iniciação gnóstica é a luta do espírito contra a matéria, em vista de elevar esta última e de se aproximar de seu termo divino. É a idéia essencial de todos aqueles que procuram esclarecer a humanidade e reencontrá-la-emos em todas as suas obras, que tenham dado um aspecto exclusivamente filosófico, quer se tenham enfeitado das magnificências de um culto cujo ritual apresenta, muitas vezes, um simbolismo profundo, digno de reter e cativar o nosso interesse.
Resumimos todas estas correspondências no quadro aqui incluso.
GRAUS E EXPERIÊNCIAS INICIÁTICAS
NOME MODERNOS NOMES ANTIGOS MISTÉRIOS
1º Grau Estudante Secreto- Borborianos- Experiências físicas nos subterrâneos
2º Grau Estudante Perfeito- Codianista ou Mendigo-Experiências intelectuais e morais
3º Grau Sublime Maçom Gnóstico- Ninfiusita ou Banhista- Mistério da água e da fumaça
4º Grau Cavalheiro da Trolha-Stratiotita ou Soldado- Mistério da Unção do Crisma
5º Grau Mestre Adepto- Fibionista/Pobre de Espírito-Mistério do fogo e do vento
6º Grau Mestre do Real Segredo-Zacheita/que recebe Jesus- Mistério Inefável

7º Grau Ministro Serpente Bronze-Barbelita/Filho do Senhor- Mistério do Grande Nome


FESTAS RELIGIOSAS

ESTAÇÕES DATAS FESTAS COMEMORATIVAS
Inverno 25 de Dezembro Nascimento de Cristo
02 de Fevereiro Conversação com os Doutores

Primavera 25 de Março Batismo
02 de Maio Pregação e luta – Lapidação
Verão 1º de Julho Transfiguração
1º de Agosto Entrada Triunfal e Ceia

Outono 25 de Setembro Morte e Ressurreição



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domingo, 8 de novembro de 2009

MAÇONARIA - ORIGENS INICIÁTICAS - 10.3 - OS GNÓSTICOS - 3ª PARTE

MAÇONARIA
ORIGENS INICIÁTICAS
10.3
OS GNÓSTICOS
3ª PARTE
Contrariamente à Igreja Católica, os gnósticos conservaram a tradição dos Mistérios e das experiências. É assim, que encontramos em um catecismo Gnóstico, publicado por Sofrônio, um estudo detalhado sobre os Mistérios iluminadores e os Mistérios purificadores.
Segundo este autor, os Mistérios iluminadores são antes, uma explicação esotérica da Gnose e eles preparam o fiel a receber a comunicação divina, a discernir nas revelações interiores os pensamentos que vêm de Deus e os que podem emanar do tentador.
Estes Mistérios têm como fim, o conhecimento de Deus, tanto quanto o permite o espírito do homem.
Deus é representado por Um simples, o Infinito e Absoluto; um ser sem forma nem limites, que não poderemos compreender senão quando estivermos libertos da camada de carne, porém, que podemos entrever desde já nos êxtases da perfeita iluminação.
Os Mistérios purificadores ordenam naturalmente abandonar a vida sensual pela vida espiritual. O espírito deve ser despojado de tudo o que tem de carnal para se apresentar ao Pai Celeste.
Quando o adepto passa a sua purificação, contempla, ama, sente-se transportado, adora, está em êxtase.
Neste êxtase, sente-se inundado das alegrias mais vivas e puras.
O prazer no qual está mergulhado, não se assemelha a nenhum dos prazeres humanos que não podem dar a mais grosseira idéia, porque o adepto se une a Deus; encontra nesta união a sua perfeição pessoal, o seu acabamento.
As purificações corporais se fazem, como no Egito, pela Água, pelo Fogo e pelo Ar.
O Mistério da Água, como nos expõe o Catecismo da Igreja Gnóstica, não se dá senão no 3º grau de iniciação. Antes, o aspirante não é iniciado, mas candidato à iniciação; é admitido somente às instruções preparatórias. Mesmo depois do batismo, o aspirante não é completamente iniciado.
Porém, é ainda candidato, não mais à Igreja Gnóstica, mas à completa iniciação para a qual será escolhido ou não.
Como a água benta das igrejas, a água que serve ao batismo gnóstico é consagrada, isto é, magnetizada por um rito especial, cujo fim é dar uma força purificadora.
O batismo não deve ser dado jamais a uma criança menor de dez anos. Sob o ponto de vista gnóstico – e este ponto de vista é racional, pois, que a palavra, “gnóstico” quer dizer “conhecimento” – o batizado deve ser capaz de conhecer e compreender o ato que ele cumpre; é preciso, para que o batismo responda ao seu verdadeiro fim, que o novo adepto possa arrepender-se de suas faltas, penetrar no fim perseguido por seus iniciadores.
O batismo, assim concebido, corresponde à primeira comunhão da Igreja Católica Romana, como data na vida da criança.
Segundo Sofrônio, “O batismo da água lava as manchas interiores da alma do pecador; produz certa modificação no psicológico, modificação que deixa sempre traços; apóia a sua resolução do assunto e dá-lhe os meios de se despojar do velho homem e vir a ser um homem novo, um cristão, um filho de Deus. Em seguida, dá as primícias do Espírito Santo, mas não a plenitude de seus dons”.
Para obter esta plenitude do Espírito, é preciso que o adepto seja submetido aos Mistérios do Fogo e do Ar (ou do vento). Este mistério está destinado a fazer do cristão um perfeito filho de Deus. Por isso, não se dá senão aos 5º e 6º graus de iniciação gnóstica. Somente depois desta cerimônia é que se é verdadeiramente iniciado.
Este batismo de Fogo vem das iniciações mais antigas e nos Evangelhos se fazem alusões a ele; a Igreja Romana o substitui pelos gestos simbólicos da confirmação.
Na Igreja Gnóstica, a cerimônia é muito imponente: o ministro do culto passeia três vezes em torno do batizado, com uma grande chama, dizendo:
“Em nome do Cristo salvador, que o Espírito Santo dissolva todas as impurezas, consumindo-as; assim queira o Todo Poderoso”.
Para o batismo do Ar ou do vento, o ministro do culto pega na mão direita o van místico dos Mistérios de Eleusis e agita-o acima da cabeça e das espáduas da pessoa para afastar de seus pensamentos todas as idéias vãs; do mesmo modo agita o crivo que separa o grão de seu invólucro. Então o ministro do culto diz:
“Em nome do Cristo Salvador, que o sopro divino lance para longe todas as impurezas de tua alma e faça voltar a sua limpidez ao teu espírito. Assim queira Deus Todo Poderoso”.
Depois destas duas consagrações, vem um terceiro mistério, o Mistério inefável (Eucaristia, a recepção do pão e do vinho consagrados).
É neste ponto especial que a comunhão gnóstica difere profundamente da comunhão católica. Os gnósticos recebem a comunhão do pão e do vinho, ao passo que os católicos leigos não recebem senão pão.
Este simbolismo exotérico da lei, não é indiferente. O pão simboliza a letra e a explicação exotérica da lei, ao passo que o vinho, reservado aos clérigos, indica a revelação integral, o esoterismo. Os gnósticos, qualquer que seja a sua ordem ou a sua profissão, recebem o pão e o vinho, símbolos do esoterismo que é concedido a todos mesmo sem a vontade do sacerdote, pela iluminação direta.
Esta admissão à taça é o símbolo do livre exame, da liberdade religiosa.
Compreende-se que este rito seja muito importante na iniciação gnóstica.
Há um, entretanto, que ultrapassa em importância esta Eucaristia; é o Mistério do Grande Nome que realiza o perfeito iniciado.
Este Mistério outorga àquele que é admitido o poder sacerdotal, quer as qualidades de que é necessário dar provas, sejam inatas entre o recipiendário, quer sejam adquiridas por um laborioso exercício.
As mulheres não são excluídas do sacerdócio na comunidade gnóstica; elas conservaram o acesso muito tarde na primitiva Igreja Grega, da qual os gnósticos afirmam descender. O gnóstico que recebe o Mistério do Grande Nome pode preencher todas as funções religiosas, distribuir sacramentos, celebrar todos os Mistérios.
A suprema iniciação é concedida com o Mistério das Ações pneumáticas. As funções que resultam deste grau, são antes de uma ordem psíquica; permitem ao adepto dirigir o seu psiquismo para operar curas, seja pela imposição das mãos, seja pelo sopro, seja pela unção do óleo consagrado.
Os processos de adestramento são tais, que os que são tratados dessa forma podem recobrar a saúde, mesmo quando ela esteja fortemente abalada. O poder sacerdotal recebido também pelo Mistério das Ações pneumáticas, dá ainda o dom de profecia, desenvolve a clarividência e a taumartugia.
Naturalmente, se dermos crédito a estes gnósticos modernos, os grandes Mistérios não são concebidos a esmo e só a pessoas dotadas de qualidades inteiramente superiores, de um perfeito domínio sobre si mesmo.
As qualidades morais que são exigidas do perfeito iniciado, o designam entre os homens como capaz de operar utilmente sobre a multidão de fiéis, confiados à sua direção. É preciso que o sacerdote seja sóbrio, casto, desinteressado, impenetrável, impassível, inacessível a toda espécie de preconceito ou de terror, impassível e podendo suportar, sem se dobrar na sua fé, todas as contradições e todas as penas.
Deve ser digno e reservado, mas delicado para com todos e, embora demonstre benevolência nas suas relações sociais, não deve deixar-se absorver.
No físico, ainda que a beleza não seja exigida, é preciso que o sacerdote seja isento de toda a deformidade e que, no seu corpo, como nas suas vestimentas, haja limpeza estrita e severa.

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MAÇONARIA - ORIGENS INICIÁTICAS - 10.2 - OS GNÓSTICOS - 2ª PARTE

MAÇONARIA
ORIGENS INICIÁTICAS
10.2
OS GNÓSTICOS
2ª PARTE
Através de toda a idade média e apesar das perseguições, o gnosticismo sobreviveu e todas as heresias albigenses foram inspiradas em sua doutrina, pois, caindo no meio onde o ódio e a ignorância deviam impor as suas deformações, a gnose achou-se misturada às piores formas de magia negra.
Atualmente, um grupo de intelectuais tomou a tarefa de fazer reviver este ensinamento desacreditado, mas, sempre tendo por causa a iluminação pessoal, e cedo apareceram tantas seitas quantas eram as pessoas. Entretanto, estes grupos múltiplos entenderam-se sobre as linhas gerais e é sobre esta doutrina que vamos tomar a devida base.
As idéias que são comuns a todos os grupos são de origem do homem, a necessidade de revelá-la aos que merecem ser instruídos e guiados para seu fim, que é Deus.
O aspirante deve mudar a sua personalidade completamente: deve despojar-se do antigo; depois, despido do que foi seu pecado, deve revestir-se do traje branco das núpcias, da vestimenta da luz dos eleitos.
Nos Ensinamentos Secretos da Gnose, Simão-Teófanes mostra-nos as fases desta educação pessoal. Primeiramente o ser está nas trevas; ele aspira à claridade.
Sob o ponto de vista cosmogônico, representa o caos informe, cujo símbolo é a pedra bruta antes de toda transformação.
Sob o ponto de vista metafísico, é a impotência de ação, seguida da ignorância em que se encontra o ser relativamente à atividade ou a Causa primária e seu símbolo iniciático é a cor negra.
Sob o ponto de vista da humanidade, é a própria inconsciência de agnosticismo e seu símbolo é um archote recurvo.
No que concerne ao indivíduo, é o estado em que se encontrou antes de seu primeiro desejo de pesquisar a luz e, no simbolismo místico, este estado de espírito do adepto antes de qualquer pensamento divino, corresponde à nudez.
A iniciação gnóstica tem, pois, por fim, pôr no caminho aquele que procura a luz, preparar a sua iniciação, a sua evolução, que é o fim de todas as iniciações.
Por isso, a pedra bruta deve vir a ser a pedra talhada, afim de que possa fazer parte da rítmica arquitetura daquele que criou os mundos. Para que a pedra bruta viesse a ser pedra talhada, precisaria empregar o martelo, que é a vontade, e a vontade que é o cinzel, que é o juízo.
O martelo representa a força inconsciente, a vontade brutal, maciça, que, como o martelo, deve ser mantida pelo espírito, único capaz de dirigir este poder quase animal.
O cinzel, ao contrário, é o juízo, a força criadora do espírito.
O espírito deve arrancar do desejo cego, tudo o que prejudique ao plano eternamente preconcebido, devido à matéria, e mesmo à sensibilidade, em sofrer.
É o discernimento do espírito que deve aplicar o cinzel sobre os pontos em que ele é necessário.
Como em todas as iniciações, vemos que as impulsividades humanas são submetidas à direção do espírito que as dirige e serve-se delas para o melhor interesse coletivo do bem comum.
Apesar de sua precisão perfeita, o cinzel não pode ferir senão sob o choque do martelo.
É um símbolo, aliás, muito belo, da impotência da ciência, sem um animismo bem dirigido que lhe dá seu impulso e sua força.
Vauvenargues, disse que os grandes pensamentos vêm do coração, mas as grandes ações também vêm. Aquele que dominasse completamente os seus sentimentos, de modo que, não experimentasse mais nenhum, poderia colecionar todos os dados científicos para seu prazer pessoa; se o desejo de se tornar útil não o impelisse a ser atirado à obra, não apareceria nada de útil à felicidade ou à evolução da humanidade.
Tornaremos a encontrar estes dois símbolos com a mesma interpretação na Franco-Maçonaria. O martelo e o cinzel são o emblema do primeiro grau da iniciação maçônica, o do aprendiz.
O ensinamento de Simão-Teófanes nos dão muitos detalhes sobre esta ação do martelo e do cinzel, mas, vimos apenas as informações gerais; o homem deve dominar as suas impulsividades e tornar-se firme e semelhante a um metal passado no cadinho, de tal maneira que as suas impulsividades, habilmente canalizadas, possam, em dado caso, soar com energia e justeza e realizar o ato desejado com toda força e precisão possíveis.

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domingo, 20 de setembro de 2009

MAÇONARIA - ORIGENS INICIÁTICAS - 10.1 - OS GNÓSTICOS - 1ª PARTE

MAÇONARIA
ORIGENS INICIÁTICAS
10.1
OS GNÓSTICOS
1ª PARTE

A Gnose, cujo nome grego significa conhecimento, teve, desde as suas primeiras manifestações, a intenção de se apresentar em ciência de Deus, penetrando todos os Mistérios, para revelá-los a seus adeptos. Ela faz apelo às tradições mais antigas da humanidade, de que afirma ser o resumo. Dando créditos aos gnósticos, eles são os únicos herdeiros da ciência que é a base de todas as religiões.
Pode-se admitir esta idéia?
Pode-se supor que a Gnose foi, ao contrário, uma mistura, às vezes assaz confusa, de idéias e símbolos arrancados de todas as religiões, que vêm do Egito, assim como, da Caldéia, da Pérsia, da Índia, da Grécia, da Judéia, de Moisés e de Jesus?
Nada temos que elucidar sobre este ponto, porque não mudará a importância desta doutrina. É certo que na base de todas as religiões se acha um fundo comum de ensinamentos.
Segundo os gnósticos, a Gnose dá o segredo do universo, o segredo da Evolução, mas as teorias oficiais dos mestres foram freqüentemente modificadas, porque, ao lado do ensinamento oficial gnóstico, uma grande parte foi abandonada à iluminação pessoal que deve ser tomada em consideração.
Nestas condições, a unidade do dogma não resistiu à tradição, suposta imutável, mudada segundo as inspirações de cada um.
Entretanto, todos os gnósticos afirmam possuir o segredo das antigas tradições e o segredo de uma tradição invariável que lhe vêm em linha reta das palavras secretas que Jesus disse a seus apóstolos e a alguns raros discípulos, porém que não nos foi transmitido – e muito veladamente – senão pelo evangelho de João.
É tão difícil negar como afirmar a realidade desta pretensão, no decorrer dos primeiros séculos, o ensinamento cristão sobretudo oral; nada nos resta do ensinamento secreto.
Um dos padres da Igreja, São Basílio, diz:
“Recebemos os dogmas que nos foram transmitidos por escrito e aqueles que nos vieram dos apóstolos sob o véu e o mistério de uma tradição oral.
Desde o século I, os gnósticos pregam seu cristianismo à parte e, muitas vezes, em oposição à pregação dos apóstolos.
Simão, o mago, Menandro e Disitheo, são considerados como fundadores da doutrina. Ela é, ao mesmo tempo, uma mistura dos ensinamentos do Cristo e das sutilezas dos Judeus helenizados de Alexandria e apresenta um grande interesse documentário, como característica desta época atormentada pela necessidade de uma nova fé. Mas a doutrina gnóstica fazia parte muito importante da interpretação pessoal, para que todo inspirado um pouco eloqüente não viesse a ser o centro de um grupo dissidente.
As seitas gnósticas são inumeráveis.
Vemos no Egito, Basílio Valentim, depois Tacino, depois Bardesanes de Edessa apresentarem vistas pessoais; Bardesanes quer a partilha dos bens; os Aramitas afirmam que se o Verbo se fez carne, a carne vem a ser santa e ordenam a nudez.
Apesar de tantas vistas quiméricas, os gnósticos tinham, sobretudo, por fim, o aperfeiçoamento do ser e, nesta concepção, inspiram-se nos Mistérios egípcios e gregos.
Abertamente professam a teoria das reencarnações.
A seu ver, a alma destacada do Pleroma divino deve descer à matéria para voltar à fonte de onde proveio. Ela deve atravessar as sete esferas planetárias, pedindo passagem aos gênios, os eons deste planeta, que são considerados como seus guardiões.
Não é senão depois de ter vivido nestes mundos, de ter sofrido as experiências e purificações necessárias, que a alma adquire o direito de regressar ao Pleroma para se unir à Divindade.
O oculto gnóstico, na maioria das seitas, dividia seus fieis em três categorias, segundo as suas possibilidades respectivas:
1º - Os hílicos, ou materiais, que eram apenas capazes de tomar a letra da lei e o rito exterior do oculto.
2º - Os psíquicos, cuja sensibilidade era mais despertada; que eram capazes de efusão, mas incapazes da ciência. Eram iniciados em grau inferior.
3º - Os pneumáticos, que eram os únicos a terem direito à revelação, porque eles estavam em estado de sair da matéria e de se elevar no mundo do Espírito onde a revelação pessoal e a iluminação completavam a obra do iniciador. Só os pneumáticos podiam esperar o termo de sua evolução.
Amelineau, que estudou profundamente esta época curiosa, observa estes ensinamentos:
“Segundo os Extratos de Teódoto, que reproduzem a tradição valentiniana do Oriente, os pneumáticos irão ao grupo de oito pessoas a tomar parte no banquete eterno, que observa o Banquete de Platão. Ainda mais, os pneumáticos, tendo despojado a alma psíquica, receberão os Anjos por esposos... Entrarão na câmara nupcial do grupo de oito em presença do espírito; virão a ser os íons inteligentes; participarão das núpcias espirituais e eternas”. (Gnosticismo Egípcio).
Vê-se que foi materializado levemente para compreensão de todos os pontos da união em Deus, fazendo parte de todos os esoterismos.
O perigo do gnosticismo em certas almas exaltadas – que são, sobretudo, estes espíritos que operam com força sobre o vulgo – é que, para aqueles que recebem a iluminação divina, as leis humanas e mesmo as fórmulas religiosas não têm a menor importância. Todos os códigos e Bíblias não representam grande coisa àquele que se entretém diretamente com a Divindade ou que tem relação com os Anjos que se tornaram seus instrutores.
A gnose, seja ensinada por um mestre, seja inspirada diretamente, basta para assegurar a salvação; ela desliga de todo outro ensinamento, de toda lei religiosa ou moral.
Outras seitas eram mais formalistas e consideravam certos sacramentos como necessários à evolução da alma.
A maioria dos sacramentos era a renovação dos Mistérios egípcios ou gregos, e mesmo aqueles que eram de origem cristã, eram muito modificados tanto na forma como na interpretação pelos instrutores gnósticos.
O batismo, antiga experiência da água precedente à iniciação aos Mistérios de Isis, foi ora praticado por imersão total do corpo, ora por simples efusão sobre a fronte.
A Ceia foi ao mesmo tempo a lembrança perpetuada do último repasto de Jesus com seus apóstolos e a união em Deus do Iniciado com um poder superior; sua forma varia freqüentemente nestas igrejas.
Antes de receber o batismo, o neófito tomava o compromisso de não fazer conhecer os Mistérios que lhe seriam revelados após a sua iniciação.
Segundo as seitas, além do batismo e da Ceia, havia a imposição das mãos, renovada da transmissão dos poderes iniciáticos, a senha por meio do selo, a unção, a recitação de fórmulas místicas em diversos sentidos como a maioria das fórmulas iniciáticas, a comunicação dos objetos sagrados e a interpretação de seu simbolismo, muitas vezes obscuro e livre dos acasos da inspiração de cada um.

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MAÇONARIA - ORIGENS INICIÁTICAS - 9.9 - JESUS - ENSINAMENTOS ESOTÉRICOS - 3ª PARTE-

MAÇONARIA
ORIGENS INICIÁTICAS
9.9
JESUS
ENSINAMENTOS ESOTÉRICOS
3ª PARTE

A nova religião se desenvolve rapidamente, mas os próprios bispos não se enganam sobre a semelhança de seu ensinamento com o das iniciações antigas. Clemente de Alexandria exclama: “Ó mistérios eternamente sagrados!... Torno-me santo pela iniciação. O senhor é o hierofante; notou o misto de seu selo iluminado; põe nas mãos do Pai aquele teve fé e que está eternamente sob a sua guarda. Eis aí os transportes de nossos mistérios, se o querem. Faze-te iniciar, e dançarás no coro dos Anjos, em torno do Deus incriado, imperecível, único verdadeiramente existente; e o Logos divino cantará conosco os santos hinos.”
É a linguagem própria do iniciado de Eleusis, transportado na religião que conquistava a terra. Encontramos também na obra de Goblet d’Alviella, que tão judiciosamente estudou os mistérios antigos, esta apreciação sobre a Igreja primitiva:
“O bispo que dirige a cerimônia assume o nome de mistágogo e o neófito, uma vez batizado, o de iniciado, eleito, misto ou ainda iluminado ou selado”.
“Os profanos, não-batizados, são designados pelo mesmo termo que no tempo em que se redigia o hino a Demeter. O sacerdote é um iluminador. A Ceia vem a ser o sacrifício; é dada por Mistério por excelência. A Missa é uma mistagogia; esta expressão é mesmo perpetuada na Igreja grega para designar a parte da cerimônia em que está figurada a paixão do Cristo. É bem a linguagem dos Mistérios, mais ainda do que a dos Evangelhos.” (Eleusina).
Conclui-se que toda esta cerimônia não é uma confusão de gestos sem significação e que um simbolismo religioso se prende a cada parte do ritual.
“O corpo é banhado para que a alma seja lavada de suas manchas; o corpo é ungido para que a alma seja consagrada; o copo é munido do sinal, para que a alma seja fortificada; o corpo torna-se sombrio sob a imposição das mãos, para que a alma seja iluminada pelo Espírito; o corpo é nutrido da carne e do sangue de Cristo, para que a alma repouse em Deus”.
Estas cerimônias cujo simbolismo e poder nos são tão sombriamente indicadas são nos reconhecíveis.
É o batismo que purifica o neófito e o torna digno de se misturar à família cristã; a unção seja a da confirmação que reconforta a fé, ou a derradeira unção que prepara o doente para vencer a derradeira etapa de sua viagem terrestre; o sinal da cruz, que é ao mesmo tempo, para o cristão desta época, um sinal de reunião com seus irmãos, é uma rápida prece; a imposição das mãos – comum ao Cristianismo e a todas as iniciações – e a comunhão, lembrança viva do Cristo que uniu o cristão a seu Deus.
A hierarquia dos sacramentos não foi sempre aos olhos dos apóstolos. Ao começo, certos sacramentos, o batismo, sobretudo, tinham antes um valor simbólico. Foi lentamente, sob a influência judeu-grega e a Gnose da Escola de Alexandria, que os sacramentos tomaram a sua importância em qualquer sorte mágica e levaram uma modificação profunda no espírito e no coração dos fieis que os receberam.
Desde os primeiros ensinamentos do gnosticismo, Simão o mago, rival do apóstolo Pedro, instituiu este cristianismo heterodoxo que devia vir a ser o cristianismo esotérico antes de se mergulhar na heresia
Sustentou então esta tese e seu sucessor Menandro afirmou a seus discípulos que o batismo assegurava a imortalidade.
Para outros, o batismo, assim como ainda o é na Igreja, não tem outro efeito senão assinalar o cristão como cristão e isentá-lo de todo o pecado que antes cometeu.
Para a maioria é antes a eucaristia que, em virtude da profunda união do ser com Jesus, dá a vida eterna.
Para os verdadeiros esclarecidos da Igreja nascente, a doutrina de Jesus foi uma ordem, tendo por fim aumentar a nossa perfeição e assegurar a nossa evolução cada vez mais.
O Evangelho de João, que é certamente aquele que foi escrito pelos iniciados, não oculta esta objurgação, apoiando-se inteiramente sobre motivos místicos.
João, que se dirigia aos gregos das Igrejas de Éfeso e de toda a Ásia Menor, prega um platonismo cristão muito próximo daquele que a Gnose desenvolverá quando vier a ser verdadeiramente cristã.
Desde a primeira palavra, coloca seu princípio da encarnação de um princípio divino, da Palavra e da sabedoria na pessoa de Jesus: “No começo era o Verbo, e o Verbo era Deus, e o Verbo está com Deus... Nele estava a vida e a vida é a luz dos homens, e a luz brilhou nas trevas, e as trevas não o compreenderam... E o Verbo se fez carne e habitou entre os homens”.
Não nos abalançamos a entrar no estudo místico da Divindade de Jesus para não perturbar nenhum sentimento, como não perguntaríamos o sentido em que o Evangelista inspirado entendeu suas palavras.
Veremos por ele, auxiliados pelo profundo comentário, do Abade Alta, qual foi, para a parte seleta dos pensadores, o ensinamento do Mestre e veremos que os ritos foram reunidos logo depois, porque a sua palavra não ordena ninguém:
“Disse-vos certas coisas enquanto estava entre vós. Além disso, o Espírito de meu Pai vos ensinará todas as coisas... Falei-vos assim desde o começo, porque eu estava convosco. Agora, volto para Aquele que me enviou... e é bom que eu vá; porque se eu não fosse, o Paráclito não viria para vós... Teria ainda muita coisa para vos dizer; mas quando Ele vier, Ele o Espírito de Verdade, dirigir-vos-á para a Verdade santa”.
É o eterno ponto das iniciações, mas aqui, João, segundo a palavra de Jesus, deixa um vasto campo à intuição, à inspiração divina. Nada que é absoluto pode ser ensinado pelos homens; mas, para um homem de evolução superior como Jesus, é preciso que toda a materialidade desapareça, mesmo a materialidade tão profundamente espiritual de Jesus; toda autoridade cessa, fora a de Deus, cujo Espírito sopra onde quer.
Aí não havia coisas a dizer para os espíritos materiais; não teriam percebido o fim de tudo, ao passo que os primeiros cristãos, indiferentes às coisas do mundo e cedendo de boa vontade o tributo de César e as obediências aos seus magistrados lembravam-se que, segundo a palavra do Mestre, “seu reino não é deste mundo”.
Uma completa liberdade era permitida a todo adepto suficientemente elevado e iniciado; é o que Paulo compreende também, quando ordena a seus fieis tudo experimentar antes de escolher.
Este desenvolvimento indefinível da Ciência religiosa sob a ação indefinida do Espírito de Deus é o ensinamento que João tira das últimas palavras de Jesus, depois da Ceia, no momento de tudo deixar para o derradeiro e sangrento sacrifício.
Para ele toda a perfeição evoluciona para a perfeição maior na santa liberdade dos filhos de Deus.
Paulo, por sua vez, compreende o Evangelho da mesma forma, e a vida atual parece-lhe como a todos nós, uma preparação para um futuro superior.
“Não vemos aqui, no nosso plano, senão um espelho e um enigma; é em uma outra vida somente que nos veremos face a face; nosso conhecimento atual é parcial; é no alto que nos conheceremos como Deus nos conhece”.
Porque esta vida não é seu fim por si mesmo; é na evolução que ela se precisa e Paulo não deixa de saber disso.
Ele mesmo diz com precisão, na sua Segunda Epístola aos Corintos:
“E o homem interior, o espírito se renova, e nos transformamos de claridade em claridade, subindo sempre para a iluminação transcendente que é a ciência de Deus”.
Compreendida assim, na liberdade de seu desenvolvimento, a obra de Jesus ultrapassa em beleza toda obra conhecida. De tal modo modificou o pensamento humano que o simbolismo reunido pelo ritual religioso não pôde destruir a suave e profunda harmonia, e que, apesar de todas as incompreensões, permanece uma das mais vastas realizações existentes para um espírito capaz de compreender.
Todos nos que viveram na Europa, feita por séculos de cristianismo, não podem esquecer Jesus. Em toda a sua sensibilidade, encontram o seu ensinamento.
O amor à Natureza transpira ainda de suas parábolas. É na sua compreensão que chegamos a comungar com o Universo. O amor de tudo o que vive, que é chamado para uma vida melhor, é nos ensinado por aquele que nos anunciou que toda carne verá a salvação de Deus.
A Natureza é um templo e um asilo e, nos momentos de perturbação, quando não podemos gozar a doçura entre nossos irmãos, é ainda na Natureza que encontramos o mais seguro refúgio.
“O reino do Cristo está entre nós”; está em nós saber encontrá-lo e ele não se oculta; encerra-se em todas as partes”.
Tanto na angústia como na alegria, está em nós elevarmos o nosso pensamento para as altas esferas que nos foram reveladas.
O coração abre-se a esta música que desce das folhagens e sobe dos regatos.
Certamente, o reino de Deus está entre nós, porém, será mais perceptível quando os nossos sentidos, desprendidos deste mundo, forem mais perfeitos.
É no domínio dos altos pensamentos e das visões puras que gozaremos todas as suavidades da alegria.
Nos vossos momentos de solidão e meditação, olhai o céu que estende o seu véu para nos fazer esperar a felicidade de verdadeira pátria, aquela onde não há ricos nem pobres, onde todas as razões de ódio se desvanecem no amor.
Quando tiverdes atingido esta alegria e a força que dela emana, por um gesto natural, elevareis as vossas mãos para este esplendor.
Vosso surto se estenderá para estas forças. Sentireis que elas afluem para vós. Elas vos conduzirão à calma, à saúde, à serenidade.
Ficareis acumulados de alegria, mas neste momento, não esquecereis aqueles que são vossos irmãos que sofrem de toda maneira, esperando a hora da liberdade.
Elevastes as mãos para o céu a fim de adquirir as forças benéficas que harmonizam os fluidos e redobram a saúde; abaixai as vossas mãos para aqueles que sofrem, imponde as vossas mãos ricas do que adquiristes; fazei o gesto da benção e as forças correrão para vós; espalhando-se em torno, descerão como um doce orvalho sobre aqueles que enlanguescem e choram nos tormentos e nas angústias.
Se fizerdes tudo isso com fé perfeita e forte, se fizerdes este gesto de apelo de dádiva, curareis o doente, reconfortareis o fraco, apaziguareis aquele que duvida e se debate nas sombras desta vida.
Operai e, segundo os ensinamentos de Jesus, atingireis à perfeição que é o caráter do Pai celestial.
Este é o ensinamento supremo que nos deu o último iniciador: - Amai e o resto vos será dado por acréscimo.
Amai-vos uns aos outros, é o mandamento supremo. Pedi a Deus, não por vós, mas para outrem e o bem que fizestes vos será dado por cêntuplo, não materialmente como o pensam os espíritos grosseiros, mas em efusão de alegria, em legítimas esperanças, tal como as pode sentir, o iniciado cuja evolução se completa em uma ascensão constante para os cumes iluminados.
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domingo, 2 de agosto de 2009

MAÇONARIA - ORIGENS INICIÁTICAS - 9.8 - JESUS - ENSINAMENTOS ESOTÉRICOS - 2ª PARTE

MAÇONARIA
ORIGENS INICIÁTICAS
9.8

JESUS
ENSINAMENTOS ESOTÉRICOS
2ª PARTE

Paulo espírito intransigente, versado por sua primeira educação na interpretação mística das Escrituras, não guarda para ele o que muitos outros conservam secreto.
Nas duas epístolas, achamos a disposição da tríplice personalidade do homem e o distingue muito claramente da alma afetiva do espírito, parte puramente intelectual do ser humano. Por outro lado, sabe que o corpo tem uma lei e que a concupiscência é a causa do pecado. Diria de boa vontade, antes de Pascal: “O coração tem as suas razões que a razão não compreende”; porém, mais místico, exclamou no transporte de sua alma: “Quem me livrará este corpo da morte!”
Vai mais longe e deixa, em muitas ocasiões, passar a teoria da evolução de todos os seres para a perfeição infinita.
Não se contenta em dizer que todos os homens aspiram à sua salvação pela difusão da religião de Cristo. Diz ele: “Todas as criaturas esperam com um ardente desejo que os filhos de Deus sejam manifestados”. Ele não se contenta, como Lucas, em dizer, uma só vez: “Toda carne terá a salvação de Deus”, mas insiste sobre este assunto e uma grande parte da Epístola aos Romanos lhe é consagrada.
Altamente, afasta o espírito ritualista de sua raça e não vê nenhuma utilidade em certas abstinências.
“Um crê que pode comer tudo e aquele que é fraco na fé não come senão ervas. Que aquele que come de tudo, não despreze aquele que somente come ervas; e que aquele que não come senão ervas não condene aquele que come de tudo; porque Deus o tomou para si”.
“Quem és tu, que condenas o servidor de outrem? Se está firme ou se cai, é o seu senhor que deve julgar; mas será firme, porque Deus é bastante poderoso para firmar”.
E, mais longe: “nenhum de nós vive por si mesmo e nenhum de nós morre por si mesmo. Porque, se vivemos é para o Senhor; se morremos, morremos para o Senhor; se vivemos e morremos, pertencemos ao Senhor. É por isso que Cristo morreu...”.
Aos Coríntios, fala em uma linguagem que mais se aproxima das idéias filosóficas da Grécia: “O homem animal não conheceu coisas que são do Espírito de Deus; porque elas lhe pareciam uma loucura e não os pode entender, porque é espiritualmente o que se julga. Mas, o homem espiritual julga as coisas e ninguém pode julgar por ele”. Chama-se a si mesmo o Dispensador dos Mistérios de Deus. Aproveita esta qualidade para dar aos costumes gregos uma pureza que, sobretudo em Corinto, eles não conheciam há muito tempo; os conselhos que ele dava sobre o casamento e a castidade são tão prudentes quão elevados.
Mas seu ensinamento não se limita a esta moral e, demais, trata do discernimento dos espíritos e os dons que seguem com uma sagacidade que não pode vir senão de um estudo profundo e longo. Aqui se encontram as lições de Gamaliel.
Esquece-os, portanto, e, posto que reivindique a qualidade de Israelita, de filho de Abrão, repele a Lei antiga, embora reconheça todos os seus benefícios e a sua utilidade:
“Para que serve a lei? Ela ajuntou a promessa à causa das transgressões, até a vinda da posteridade a quem a promessa havia sido feita: e ela foi dada pelos anjos e por intermédio de um Mediador... Assim a lei tem sido nossa condutora para nos levar a Cristo, a fim de que sejamos justificados pela fé.
“Mas chegando à fé, não estais mais sob este condutor; sois todos filhos de Deus pela fé em Jesus Cristo... E não existe mais Judeu nem Grego; não há mais escravos nem livre; não há mais homem nem mulher; porque vós todos não estais senão em Jesus Cristo”.
Aos Hebreus, iniciados pela maioria às Escrituras, mostra qual a perfeição oriunda do Evangelho: “Antiga Lei foi abolida devido à sua fraqueza e à sua inutilidade; porque a Lei não conduz à perfeição; mas uma esperança melhor, pela qual nos aproximamos de Deus, foi substituída”.
Apoiando-se sobre livros santos, estuda com sutileza, as concordâncias proféticas.
E os conselhos de bondade, sucedendo a uma espécie de hino à fé, terminam a Epístola aos Hebreus, um dos mais belos documentos refletindo o pensamento cristão, em sua primeira florescência.
Entretanto, à medida que o conhecimento do povo ensino se espalhava mais se tornava necessário fazer acepção da inteligência e da fé dos ouvintes aos quais se dirigiam as palavras.
Alguns, a quem tinham acreditado poder confiar toda a doutrina, haviam deformado pelas imaginações pessoais e raciocínios que nada tinham de comum com a pregação dos apóstolos.
No fim do século II, uma hierarquia foi estabelecida. Um dos mais poderosos espíritos desta época, Orígenes, que foi por momentos suspeito de heresia, apesar de seu zelo apaixonado pela religião, descreve-nos nestes termos:
“Os cristãos, antes de receber em suas assembléias aqueles que querem ser seus discípulos, fazem-lhes diversas exortações para fortificá-los no desígnio de bem viver; enfim, admitem-nos, quando os vêm no estado que eles desejam e fazem uma Ordem à parte; porque há duas compostas entre eles: Uma a dos iniciados que o são há pouco tempo e não receberam o símbolo de sua purificação; a outra daqueles que deram todas as provas possíveis de sua resolução de não abandonar jamais a profissão do cristianismo”.
Estes apenas eram chamados a distribuir a boa palavra e os primeiros sacramentos que existiram; o batismo primeiramente que Jesus tinha tomado da iniciação de João; em seguida, a eucaristia que Jesus tinha constituído no decorrer da sua última ceia, com a prece, mais que a injunção, que isto fosse feito novamente em sua memória.
Aqueles que tinham ficado firmes na fé, no decorrer destes séculos de perseguição, eram chamados a este sacerdócio, mas não havia necessidade de outras condições em seus agrupamentos fraternais.
Não se colocava questão alguma sobre a ordem nem sobre a instrução daquele que devia guiar seus irmãos; todavia, os espíritos cultivados eram apreciados pela sua facilidade em refutar as objeções, em instruir os pagãos na nova religião, porque todos, e os gregos sobretudo, eram sensíveis às palavras harmoniosas e aos argumentos bem deduzidos.
Pouco a pouco, pela imensa difusão do cristianismo que as próprias perseguições faziam conhecer em todo o Império, o sacerdócio veio a ser mais útil; as cerimônias complicaram-se porque, em muitos casos, e, sobretudo depois do triunfo definitivo do cristianismo, adotado por Constantino, os pontífices cristãos não quiseram proibir as festas populares que não eram absolutamente incompatíveis com o ideal cristão.
As festas das vendas reapareciam no novo calendário; adaptaram-na aos dias consagrados aos santos que melhor correspondessem com o rito abolido.
Esta corrente vai reforçando sem cessar, porque o Império todo é cristão.
É preciso que os magistrados eclesiásticos sejam criados para administrar as vastas coletividades, sustentando, em muitos pontos, o rude assalto dos Bárbaros.
Cria-se uma completa hierarquia.

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domingo, 5 de julho de 2009

MAÇONARIA - ORIGENS INICIÁTICAS - 9.7 - JESUS - ENSINAMENTOS ESOTÉRICOS - 1ª PARTE

MAÇONARIA
ORIGENS INICIÁTICAS

9.7
JESUS
ENSINAMENTOS ESOTÉRICOS
1ª PARTE

Há, realmente, na obra tão admirável de Jesus, uma iniciação secreta?
É difícil haver dúvida. Em tudo a necessidade se impõe para dar à massa um ensinamento à sua conduta e guardar os mais altos ensinamentos para aqueles que são capazes de os compreender e se adaptar a tais ensinamentos. É assim que Jesus falava para o povo em parábolas que ele explicava a seus apóstolos.
Desta divisão do dogma, Paulo dá a razão na sua Primeira Epístola aos Coríntios:
“E por serem numerosos, estão entre vós os fracos de espírito, sem contar os adormecidos.” (Cap. XI, vers. 30).
Ele diz aos Hebreus sensivelmente a mesma coisa, ainda que os judeus devessem entender melhor um pensamento que havia sido originado no seu país e na sua raça:
“Dos nossos mistérios, teríamos grandes coisas a dizer; mas nós não tentaremos explicar-vos, porque não os compreendereis.” (Epístola aos Hebreus, cap. V, vers. 11).
Nos momentos da mais alta e mais sincera intimidade intelectual, o Mestre fala aos seus apóstolos com o coração aberto e, quando Simão Pedro o reconhece pelo esperado Messias, Jesus diz-lhe palavras decisivas.
Mas logo pede que não revele a ninguém que ele é o Cristo. Seis dias depois, dá-se a transfiguração. Em um surto de entusiasmo, Jesus elevou-se da terra e achou-se rodeado de uma luz desconhecida.
Os três apóstolos que ele preferia o viram rodeado por Moisés e Elias, e eles caíram por terra, presos de admiração e, mais ainda, de um enorme temor.
Jesus os vê, enche-se de piedade e reaparece só a seus olhos; e logo depois como eles descessem da montanha, onde se manifestou o prodígio, pediu:
“Não digais a ninguém o que vistes, até que o Filho do Homem seja ressuscitado entre os mortos.”
O testemunho de Marcos (Cap. VIII, 30; IX, 8) corrobora aqui, nitidamente o de Mateus (Cap. XVI, 20; XVII, 9).
É inegável que ele teve, unicamente para os apóstolos, um ensinamento esotérico e, quando Jesus pronunciou palavras que davam ao povo a sua doutrina sob uma forma agradável, mas freqüentemente muito veladamente do que se pensava, desenvolvia o pensamento imediatamente diante dos seus. Estes se admiravam na simplicidade de sua alma.
“Por que falas tu por semelhanças?”
Ele respondeu, dizendo:
“Porque vos é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas a eles não é dado.”
“Porque se dará àquele que já tem e terá ainda mais; porém, para aquele que não tem, ser-lhe-á omitido mesmo o que tem.”
E, como esta rudeza os surpreendesse, ele continuou:
“É por isso que eu falo por semelhança, porque vendo, eles não vêm, e ouvindo, eles não ouvem ... Mas vós sois felizes, porque tendes olhos que vêm e ouvidos que ouvem.”
Burnouf, que levou tantas luzes ao estudo das religiões comparadas, expõe a sua opinião relativamente ao lado esotérico da religião cristã na Igreja primitiva:
“É um fato conhecido de todo o mundo, que nos primeiros tempos do Cristianismo, existia uma doutrina secreta, transmitida por meio da palavra e em parte talvez pela escrita; este ensinamento misterioso excluía primeiramente aqueles que se chamavam catecúmenos, isto é, pagãos convertidos, mas ainda não instruídos nas coisas da fé.”
“Uma vez cristãos, não eram, por isso, iniciados nas mais profundas doutrinas, porque elas se transmitiam, de algum modo, de mão em mão, entre homens cuja fé era mais ardente; a este título, eles podiam ser doutores e, por sua vez, instruir e dirigir a massa de fiéis.”
“Sobre quais pontos da doutrina existia o mistério?”
“É uma questão que é impossível resolver a priori e que o estudo dos textos pode apenas esclarecer: está-se, não obstante, no direito de pensar que o véu do segredo cobriria, como os Mistérios de Eleusis, as partes mais profundas da ciência sagrada e aquelas que tinham sido as mais perigosas de descobrir a todos, no meio do mundo pagão, em uma sociedade cristã composta, na maioria, de ignorantes.”
“Veio um tempo em que a doutrina oculta cessou de ser assim. Costumava-se dizer que depois de Constantino, não houve mais tradição secreta em nenhuma igreja, nem no Oriente nem no Ocidente...”
“Para conhecer os pontos da doutrina que constituíam o ensinamento secreto, não é necessário consultar documentos posteriores ao Concílio de Nicéia, se não for para procurar documentos que se podem aí achar ainda, como relação ao período primitivo do Cristianismo. Nesta época, tudo o que devia ser revelado da doutrina cristã, tinha sido efetuado.”
“A partir de Jesus Cristo, vêem-se documentos escritos aparecerem uns após outros na sua ordem natural, à medida que os acontecimentos exteriores e o progresso interno da cristandade lhe permitiam produzir...”
“Os quatro Evangelhos, os Atos, as Epístolas e muitos outros escritos dos tempos primitivos da Igreja, notam as etapas que a promulgação da fé teve de percorrer. A disciplina do segredo durou até o dia em que a manifestação pôde ser encarada como completa; não foi senão para o fim do segundo século; então somente a publicação do Evangelho de João mostrou, sob sua forma teórica, a doutrina confiada por Jesus aos seus discípulos favoritos.”
“Assim, cerca de duzentos anos foram necessários para que os cristãos espalhados no império, estivessem de plena posse das grandes fórmulas da fé. A primeira fórmula sob a que havia sido proposta, é a que Jesus empregava exclusivamente no seu ensinamento público, a forma da parábola; é a que se encontra um pouco isolada no Evangelho de Mateus, o mais antigo dos quatro, aquele que parece reproduzir mais exatamente as próprias palavras do Cristo.”
“A teoria começa a surgir em Lucas, o segundo pela data; este novo livro fez com o primeiro um contraste aparente, porque suprimia, de maneira sistemática, o elemento judeu, que Mateus, tinha conservado estritamente. Marcos não traz nada de novo nem na história do Mestre, nem na expressão da doutrina...” ( A Ciência das Religiões).




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